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Encruzilhadas e Desafios da GRH - Entrevista com Patrícia Jardim da Palma

Bom dia Tem ou já teve a experiência em gerir pessoas? Já pensou nos desafios que a nova revolução tecnológica coloca no mundo do trabalho? Se as suas respostas forem afirmativas, ser-lhe-á útil ler a entrevista desta semana.

Desta vez, conversámos com um membro da Equipa Hubs, Patrícia Jardim da Palma no âmbito do lançamento do seu mais recente livro ‘’Encruzilhadas e Desafios da GRH’’, escrito em co-autoria com Sónia P. Gonçalves e Miguel Pereira Lopes. A sua apresentação decorreu no passado dia 11 de outubro, pelas 18:30, no El Corte Inglès. Doutorada em Psicologia das Organizações e Empreendedorismo e Docente no ISCSP, é autora de cerca de 30 artigos científicos, capítulos e livros, entre os quais se destacam Paixão e Talento no Trabalho, Psicologia para Não Psicólogos: A Gestão à luz da Psicologia ou Gestão ou Liderança de Talentos … Para Sair da Crise. É Coordenadora da Escola de Liderança e Inovação do ISCSP, tendo sido responsável por vários programas de formação experiencial em liderança, inovação, coaching, intra-empreendedorismo ou gestão de talentos. Coordena também a Unidade de Missão ISCSP-Empreendedorismo, tendo a seu cargo a implementação de programas de Empreendedorismo de Base Local, em parceria com diversos municípios portugueses. Acreditando que a "Tecnologia Comportamental" constitui uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento e para a construção de uma sociedade mais sustentável, Patrícia Jardim de Palma é também Presidente do Instituto de Tecnologia Comportamental (INTEC), uma associação sem fins lucrativos.

Como nasceu a ideia de escrever este livro sobre Gestão de Pessoas, na era que estamos a viver? Este livro nasceu da preocupação com as mudanças drásticas nas organizações, no local do trabalho e nas pessoas. Estamos a passar pela quarta revolução industrial, pela ideia das múltiplas gerações no local de trabalho, estamos na era da economia digital e assistimos ao desaparecimento de um conjunto de soluções que nos pareciam legítimas e que pareciam para sempre, por existirem há tanto tempo. Ou seja, está a ocorrer uma mudança drástica de muitas funções que já existem há muito tempo. Dou o exemplo de um advogado ou de um auditor financeiro, que de repente se veem transformadas pela ajuda dos computadores, dos algoritmos dos big data. Mas também todas as outras funções como motoristas, pessoas da limpeza, construção civil. Funções todas elas assoberbadas por um conjunto de fortes mudanças. Eu sou professora na área da Gestão de Recursos Humanos e creio que é fundamental questionar sobre quais as barreiras e desafios que se colocam a estas funções e como lidar com esses desafios. O livro é composto por um conjunto de professores de universidades de norte a sul do país e de investigadores. Convidámo-los a refletir sobre estes dilemas e sobre novas oportunidades. Há de facto correntes muito diferenciadas e há correntes muito derrotistas. Eu, otimista por natureza, gosto de pensar que estas mudanças podem trazer muitas oportunidades. Temos de olhar para o lado positivo destas barreiras e destas transformações. Devemos pensar um pouco sobre quais os grandes desafios que se colocam ao mundo laboral e de que forma nós, profissionais de GRH, podemos ajudar a que esses desafios possam representar grandes oportunidades e contribuir para mais realização profissional, que é no fundo o que todos ambicionamos ter. O livro vai sem dúvida ajudar trabalhadores, gestores de pessoas e de equipas e líderes. Aliás, este livro foi escrito a partir de uma ótica de autoavaliação e de liderança. Fazendo-nos refletir sobre as principais mudanças e consequências, podemos aproveitar e canalizar para o bem-estar e para a produtividade laboral. No fundo, é uma questão de acreditarmos que a liderança pode criar condições para que as pessoas possam transformar esses desafios em oportunidades, tal como referi. O Empreendedorismo é uma área em que também apostou fortemente. Que papel tem tido nesta área e como pensa que os seus artigos e projetos contribuíram para o mundo do Empreendedorismo? Todo o meu percurso académico - doutoramento, investigação, artigos científicos, livros dos últimos dez anos - é precisamente só sobre empreendedorismo, embora esteja muito ligada à vertente da gestão de recursos humanos. Mas o Empreendedorismo é a minha especialidade. Dou formação e coaching a empreendedores e ajudo incubadoras a realizarem projetos e ideias de negócio. A nível académico e prático é a minha especialidade. Apesar de eu poder afirmar que tenho tido impacto em vários projetos, o nosso impacto é sempre co-construído com os empreendedores e com os negócios, obviamente. Tenho conduzido alguns projetos que, a nível mais individual, são claramente mais de apoio de coaching a empreendedores. Temos de perceber a identidade empreendedora, o que é construído em torno da sua atividade e o desenvolvimento de muitas competências soft, tudo isto alivia algumas dificuldades. Ou seja, existem questões relacionadas com falta de resiliência, desmotivação, com o ouvir muitas vezes a palavra ´´não´´. Por vezes, é preciso redefinir um pouco a própria ideia de negócio. Isto porque há muita barreira, muita resistência. É preciso ajudar o empreendedor nesse aspeto e a sobreviver cada dia - muitas vezes é mesmo esta a expressão. Tenho feito também projetos mais abrangentes, já trabalhei com bastantes municípios. Juntamente com outros colegas meus, trabalhamos muito as ideias de negócios que vão surgindo em comunhão com os recursos endógenos da própria região. É essencial perceber o que é forte nos setores de atividade e de clusters de uma determinada região em termos de ideias. Pessoalmente, trabalho mais a vertente individual da identidade empreendedora, a das soft skills. E depois há uma outra equipa que trabalha comigo e que está voltada para as ditas hard skills: a área financeira, o marketing, planos de investimento, etc.

Ainda sobre o tema do Empreendedorismo, é Presidente de uma associação sem fins lucrativos, o INTEC (Instituto de Tecnologia Comportamental), que está associado ao HubsLisbon Azambuja. Como descreve a sua ligação ao HubsLisbon Azambuja e como aconteceu essa iniciativa?

O INTEC é um centro de desenvolvimento tecnológico. Somos uma rede de especialistas na área das ciências comportamentais, desde psicólogos (eu própria sou psicóloga), gestores, economistas, sociólogos, profissionais de marketing. Há muita coisa que é feita e produzida e que fica na gaveta e, a partir da Ciência, tentamos criar projetos e produtos inovadores e de alto impacto. O nosso grande objetivo é precisamente criar impacto nas pessoas, nas equipas, nas comunidades. E porquê o HubsLisbon Azambuja? Em primeiro lugar, Azambuja pertence também ao distrito de Lisboa, portanto é uma questão geográfica. Convém-nos estar também fisicamente próximos. Por outro lado, nós atuamos a uma escala global e o facto de estarmos em Azambuja ajuda-nos a não estar tão centrais, ajuda-nos a descentralizar um pouco. Nós temos um alcance global a nível nacional e é isso que pretendemos continuar a ter. Tanto vamos a norte como a sul. Não queremos ser ‘’aquelas pessoas que vêm de Lisboa’’, não é isso que quero ouvir. Quero ter uma abordagem inclusiva de ajuda, de impacto e de crescimento. Em segundo lugar, Azambuja é de facto um concelho com muita atratividade, com muitos recursos endógenos e mais-valias. Tem um tecido organizacional e empresarial bem interessante e rico, e esperamos contribuir com o INTEC para o desenvolvimento de quem precisa. Além disso, eu própria faço parte da equipa do HubsLisbon Azambuja que está a ajudar a desenvolver esta grande iniciativa, na qual eu tenho enorme confiança. Eu acredito muito na equipa, é uma equipa ótima, de alto impacto. Acho que é uma grande mais-valia para a região e não só. E se eu acredito tanto, porque não incluir o INTEC? Eu acho que muito mais importante do que o nosso discurso são as nossas ações. De nada serve dizer que acho algo muito importante, se não agir em conformidade, na prática. Procuro agir em concordância com as minhas crenças e valores, daí fazer todo o sentido colocar aqui o INTEC.


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