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Entrevista com Célia Morazzo - MORAZZO DESIGN

‘’O Mundo mudou completamente e hoje em dia, eu não me sigo tanto pelas tendências. O meu foco está sim na personalidade e no estilo de vida de cada um.

A casa tem de ser o reflexo de quem a habita.’’




A sua casa é o seu reflexo? Já pensou se a sua casa é o reflexo de quem a habita?

Esta semana conversámos com Célia Morazzo, decoradora de interiores e uma apaixonada por espaços ‘’com alma’’. O seu foco é criar ambientes e atmosferas com uma harmonia e contrastes diferentes, ‘’sem nunca perder de vista a funcionalidade, conforto, elegância e a história de quem lá vive’’.

Pode falar-nos um pouco sobre o seu percurso na área da decoração de interiores? O meu percurso é todo ligado à área artística. Frequentei a Escola António Arroio e a ESAD da fundação Ricardo Espírito Santo. Toda a minha vida foi sempre ligada a várias formas artísticas - incluindo bailado e pintura. Enfim, sempre fui muito polivalente e ligada a todas estas linguagens estéticas. Foi um pouco atribulado no início porque me casei muito cedo e acabei por interromper os estudos para acompanhar os meus filhos. Passei muitos anos a decorar as minhas casas e as dos meus amigos. O meu filho, Miguel Morazzo, formou-se em cenografia e figurinismo. Cenografia cruza-se diretamente com decoração e temos vindo a trabalhar juntos. Temos uma cadeia de colaboradores que contactamos conforme a dimensão de cada projeto. Nós não temos trabalhadores permanentes, temos parcerias. Mediante o projeto, vamos buscar o profissional que o projeto exigir. Tivemos um atelier, mas tivemos que o fechar em 2008 durante a crise. Desde aí que trabalhamos a partir de casa para qualquer ponto do país. Há muita coisa criada por nós, mas quando precisamos de um projeto 3D ou de algo mais específico, temos arquitetos e outros profissionais que nos apoiam nessa área. Quais os aspetos mais importantes para si na arte da decoração? Temos sempre como principal objetivo usar a nossa sinergia para criar ambientes e atmosferas com uma harmonia e com contrastes diferentes, sem nunca perder de vista a funcionalidade, conforto e elegância. Apostamos muito no efeito da composição de formas e cores. Somos uns apaixonados por espaços com alma! Gostamos de cruzar estilos e linhas temporais para que as nossas casas confidenciem a história de quem lá vive e não a história do decorador. Há aspetos que um bom decorador nunca deve descurar: a funcionalidade, a estética, a cultura de gosto, o conforto e o saber ouvir o cliente. Trata-se do núcleo mais íntimo de uma família, portanto é importante ouvir, para fazer um trabalho satisfatório. Não há nada mais gratificante do que ver o sorriso de um cliente que diz: ‘’Está fantástico! Foi exatamente isto que eu imaginei, que pedi e que precisava!’’

Como é que acha que se diferencia neste mercado?


Fui manequim durante muitos anos e, como deve imaginar, toda esta sinergia entre estas experiências artísticas minhas e profissionais, além de toda a parte complementar que o meu filho depois acresce com a sua atividade, permitiu-nos criar um mundo muito interessante.


São sinergias que criam ambientes completamente diferentes daquilo a que nós estamos habituados.


Temos acesso a oficinas de teatro e a uma quantidade de ferramentas que essa profissão (cenografia) também nos proporciona.


Isto é realmente o que nos diferencia no mercado.


Vou dar-lhe um exemplo: há 2 anos atrás uma cliente disse-me que adorava ter um urso polar em tamanho real na sala. Era uma sala enorme. Aqui o céu é o limite a nível de criatividade! E o urso foi construído nas oficinas de cenografia em tamanho real.


Esta é uma das valias que nos diferencia da concorrência.



Para que tipos de espaços é que normalmente faz trabalhos de decoração?


Decoramos qualquer tipo de espaço, tirando aqueles mais específicos (os que têm uma especificidade muito própria).


Decoramos espaços públicos, feiras, casas particulares, turismo de habitação.


Adorávamos, por exemplo, entrar na arte urbana, nas decorações temáticas.

É algo em que queremos apostar e até temos capacidade de resposta a esse tipo de desafio, dado todo o background que temos das oficinas de teatro e cinema.


É um cocktail um bocadinho diferente ao que estamos habituados, mas é algo que queremos e podemos fazer.


Decoramos também mesas temáticas, para empresas e particulares.


Que tipo de serviços oferecem?


Temos o serviço Chave na Mão, em que o cliente não se preocupa com quase nada. Temos clientes que nos deixam à vontade e outros com requisitos específicos.


Quanto ao serviço Personal Shopper, é a pessoa que acompanha o cliente nas compras.


Temos vários tipos de clientes que não sabem nem imaginam o que querem. Estão um pouco à toa e então dão-nos liberdade total para fazermos várias propostas.


Também há o cliente que sabe o que quer, mas que é inseguro e que, não conseguindo visualizar, precisa da tal ajuda. Muitas vezes, nós fornecemos só o acompanhar as pessoas às compras.


É um serviço também muito solicitado porque as pessoas se sentem apoiadas, mais seguras. Precisam apenas do apoio e da segurança de um profissional.


O serviço Home Staging é a aplicação de um conjunto de técnicas com o objetivo principal de preparar os imóveis para venda ou para arrendamento. Nós temos que despersonalizar e mostrar o potencial da casa.


É um serviço muito utilizado por imobiliárias que querem mostrar ao potencial comprador o que se pode fazer lá dentro. Não pode ser algo com muita personalidade porque assim vai agradar a uns e desagradar a outros. Tem de ser uma solução funcional, mais prática e mais consensual.


Por fim, temos o serviço de Ação de Maquilhagem, que é utilizado nos casos de uma casa já decorada há anos e em que o cliente me diz que está cansado daquela decoração, mas não pode ser algo dispendioso.


É um tipo de refresh. E aí aconselho mudar apenas certos detalhes: almofadas, cortinas, papel, pintura, espelho... Nem toda a gente tem capacidade financeira para fazer algo de raíz. Muitas vezes vão fazendo por fases.



Tem algum projeto seu preferido?


Tenho vários. Estou a lembrar-me de um projeto enorme em que nos foi dada total liberdade, obviamente sempre tendo em conta o cliente final.


Os apartamentos não tinham nada e não havia limite em termos de valores. Foi tudo pensado, desde o faqueiro até aos sofás, paredes, tudo. O objetivo era que o cliente chegasse a casa e a ela estivesse linda e habitável.


Tive muitos outros projetos bastante interessantes, mas para mim, a tarefa principal de um decorador é produzir um impacto significativo na qualidade de vida dos seus clientes. É tentar criar espaços especiais e diferentes indo ao encontro da personalidade e do estilo de vida.

Isso é muito gratificante.



Depois desta pandemia que nos afetou a todos, as pessoas ficaram mais tempo em casa. Nota que isso contribuiu para uma maior procura dos serviços de decoração?


É uma pergunta muito interessante. Estando as pessoas mais tempo em casa, começaram realmente a olhar para a casa de uma forma bem diferente.


É certo que houve mais procura, só que as dificuldades e obstáculos foram enormes. Houve toda uma panóplia de fornecedores - manufatura, costureiros, estofadores, eletricistas, pintores – todo um mundo que está por detrás de um projeto de decoração que falhou completamente a nível humano.


Não se cumpriram prazos, não havia stocks nas lojas online, os trabalhadores adoeciam, não havia transporte de certos materiais, não havia aviões e não se podia mudar de concelhos. Ou seja, foi muito complicado gerir a expetativa do cliente e a vontade de fazer versus as dificuldades a nível de logística que nós estávamos a ter. Quem esteve em campo a trabalhar nesta área, deparou-se com situações inacreditáveis.



Gostaríamos também que nos falasse, por último, sobre as vantagens de estar integrada no HubsLisbon Azambuja e no Concelho.


O projeto HubsLisbon Azambuja é uma ideia brilhante e um projeto absolutamente fantástico do qual eu estou muito orgulhosa de fazer parte. Espero ser uma mais-valia para o Concelho de Azambuja. Além disso, fica perto de Lisboa, isso é uma grande vantagem.


Cada vez mais, nos nossos dias, é crucial sentirmos que estamos numa comunidade. É determinante apoiarmo-nos uns aos outros.


Saiba mais sobre a Célia Morazzo e o seu trabalho nas suas redes sociais

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