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Entrevista com Sofia Marques - BERRY GOOD


Esta semana estivemos com a fundadora da Berry Good, empresa de produção e comercialização de produtos agrícolas, mais concretamente framboesas e romãs. Sofia Marques é Mãe, Mulher e Empreendedora num cantinho de Vale do Paraíso, Concelho de Azambuja. Para Sofia, ser empreendedora é uma forma de mostrar ao mundo que não se tem medo da palavra trabalho. Que se é capaz de criar as próprias regras e com elas vencer. Que não se tem medo de desafios e que os obstáculos não são uma limitação, mas sim a forma mais real de aprendizagem. 1 - O que a levou a concretizar este projeto e ficar no concelho de Azambuja? Este projeto está relacionado com a minha enorme vontade de mudar de vida, de profissão. Fui bancária durante dez anos, mas não gostava do que fazia, não me sentia feliz nem realizada no campo profissional. Daí ter feito todo o sentido explorar e dar rendimento a terrenos que já existiam do meu pai, aqui em Vale do Paraíso. Portanto, não foi de repente, os terrenos existiam e havia uma ligação da família à agricultura. Parece que foi o destino, tinha de ser, a vida trouxe-me até aqui. Tudo começou em 2014. Falei com uma empresa que fazia alguns projetos e apresentaram-me algumas culturas. As framboesas tinham potencial de crescimento, as romãs também tinham pouca oferta em Portugal e foi nesse sentido que decidi seguir em frente. Mas até o projeto ser aprovado, começar a plantação e a dar rendimento, foi em 2018 que realmente começou. As framboesas começaram então a aparecer. Quanto às romãs, ainda não tenho grande experiência, demoram 3 anos até que as árvores cresçam e se tornem fortes e deem o fruto. Este ano talvez já terei produção de romãs. Nunca senti medo de mudar, embora tenha tido muitas dúvidas. Era uma atividade completamente nova. Foi desafiante e ainda é. 2 - Como funciona este processo de produção biológica? De uma forma geral, cada planta dá framboesas duas vezes por ano. Começam a dar mais na Primavera, final de Abril até final de Junho. Depois têm de ser podadas novamente e aí aproveitam-se os rebentos que nascem. Voltam a dar em Setembro. Tenho vendido para intermediários que, por sua vez, vendem para grandes superfícies nacionais e no estrangeiro. Acabam por ser exportadas para vários lugares diferentes. Exportam para França, Inglaterra, Espanha, Holanda, Itália. Assim como Portugal também acaba por importar. A framboesa tem muito desperdício, às vezes há fruta partida ou mais madura e acabo por a aproveitar, fazendo o doce de framboesa que tem sido bem aceite. Não é um "doce muito doce". As pessoas podem adquiri-lo falando comigo através do site. Além disso, temos o licor de framboesa. 3 - Normalmente é nas grandes crises e consequentemente nos momentos mais complexos que surgem também novas oportunidades. Esta pandemia o que é que trouxe ou o que é que acrescentou de positivo ao seu negócio? O impacto da pandemia até acabou por ser positivo, pois a procura aumentou, o preço também aumentou, as pessoas estavam dispostas a dar mais e valorizavam mais. Houve grandes produtores que não conseguiram produzir por falta de mão de obra. Houve confinamentos em algumas explorações devido a surtos. Os colaboradores estrangeiros ficavam confinados, o que lhes trouxe um grande desafio porque este trabalho, sendo sazonal, acaba por viver muito das empresas de trabalho temporário que disponibilizam trabalhadores de várias nacionalidades. Eles começam a trabalhar nessas explorações e vão de exploração em exploração. Havia muito pouca gente para apanhar fruta ou para podar e acabaram por sair prejudicados por isso. Os que conseguiram, os pequenos produtores, como eu, ficaram a ganhar. No entanto, agora começa a surgir o aumento dos custos dos materiais, cuvettes, adubos, transporte, está tudo muito caro. 4 - Quais os seus objetivos para os próximos anos para a Berry Good? Pretendo desenvolver o meu negócio, pretendo criar serviços, como por exemplo visitas à Berry Good. Os miúdos acham imensa graça fazer esta atividade. Há escolas que já cá têm vindo, no âmbito das ‘’Viagens do Zambujinho’’. As pessoas chegam, conhecem, descobrem como é o sistema da produção, fazem a apanha, levam até algumas framboesas com elas. Este espaço de tranquilidade poderá ser também uma forma de turismo rural. Tenho também o projeto da Maria Cachucha a ser desenvolvido e a ideia era prestar aconselhamento e consultoria de gestão agrícola. Há pessoas que perdem dinheiro no processo de produção, pois não sabem ainda como rentabilizar o negócio. Escrevi um ebook que tenho no meu website, no seguimento do programa da TVI – ‘’Os Humanos’’ em novembro passado, após termos sido filmados e entrevistados. Ver Programa Aqui Foi a partir daí que decidi fazer este ebook, intitulado ‘’Os desafios por detrás da mudança de vida’’. Colaboro com um engenheiro agrónomo e através dele disponibilizarei apoio na área de engenharia agrícola, sobre framboesas e até sobre outros frutos vermelhos. Gostaria ainda de ter aqui uma loja, para as pessoas virem cá. No entanto, é um projeto também a ser desenvolvido e conversado com as autarquias. 5 - Na sua opinião o que pode o Concelho de Azambuja fazer para incrementar este tipo de produção e, em contrapartida, qual a sua mais-valia para o Concelho de Azambuja? Gostaria de fazer chegar ainda mais longe o nome da Berry Good ao desenvolver a marca e vice-versa, fazer chegar o nome do concelho através da marca. Seria igualmente vantajoso dar oferta de trabalho a pessoas aqui do concelho. Os pequenos produtores estão a desaparecer porque acabam por ser engolidos pelos grandes produtores. Depois também há a questão dos materiais. Os pequenos produtores, como compram em quantidades mais pequenas, sai-lhes mais caro e acabam por desaparecer. Precisamos muito do apoio das autarquias e das entidades que podem apoiar. Nem sempre foi fácil e, no fundo, tudo isto é a superação de um desafio diário. Com a união, apoio familiar e resiliência, acabámos por nos fortalecer e nos erguer. Creio que o facto de ser mulher permite-me viver tudo isto com mais emoção, mais sonho, mais esperança, mais sentimento, mais resiliência. Sinto-me mais capaz por ser mulher e estou muito feliz e realizada. Morada | Estrada Nacional 366, km 25,8, Quinta da Cachucha, Vale do Paraíso GPS | 39.117584 / -8.878231 Contacto | +351 964 288 960 Email | geral@berrygood.pt Website | - berrygood.pt Facebook | - @berrygood.pt

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