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Entrevista com Ricardo Flores - Mocoffee

Updated: Jul 13

Instalada no centro empresarial de Vila Nova da Rainha, Azambuja, a MOCOFEE apresenta-se como uma empresa moderna e ágil. Com alcance mundial e especial atenção à sustentabilidade, falámos com Ricardo Flores sobre café e boas práticas. Como vê as novas gerações no mundo laboral?

Penso que temos um grande desafio pela frente para as novas gerações e principalmente para aquela geração que nasceu após o ano 2000.

Nos últimos anos mudamos drasticamente o nosso estilo de vida e de educar os mais novos, deixamos de criar os heróis imaginários que perduraram durante décadas, como o Super-Homem, o Homem-Aranha, o Batman, entre outros, em prol dos heróis que se transformaram em youtubers e instagramers e que vieram influenciar as tendências do nosso dia a dia.

Por um lado, muitos argumentam que isso tem um lado positivo uma vez que são heróis reais e não imaginários. Pessoalmente acho que perdemos a capacidade de leitura que começava nos livros de banda desenhada, perdemos a criatividade filosófica e deixamos de saber o que é esperar por um determinado lançamento uma vez que tudo se encontra na nossa mão à distância de um clique.

Esta nova geração denominada por Millenials de "Cringe" nunca escreveu uma carta a enviar pelo correio, nunca viu um FAX, não sabe o que é marcar um encontro e ter de sair de casa na confiança que os amigos estarão lá à hora combinada sem meio de os poder contactar.

Viveram no momento da sua entrada no mercado de trabalho, uma pandemia que criou um imaginário sobre o mercado de trabalho, impossível de manter e o maior desafio é a necessidade de retribuição a curto prazo.

Pessoalmente para mim o desafio é enorme, o mundo após uma guerra ou uma pandemia como esta precisa pensar a longo prazo, criar valor para as gerações futuras e entender o impacto das suas ações de hoje no futuro que teremos.

Tudo o que vejo neste momento é focado no curto prazo...

Como pensa que as organizações têm que se adaptar face à digitalização dos processos?

É uma questão de sobrevivência que quer prosperar nos próximos cinco a dez anos, têm de ter os seus processos digitalizados mas não de qualquer forma e sim de forma produtiva, inteligente e que crie uma vantagem competitiva no mercado.

O problema é que os consultores digitais e os diretores de TI insistem na sua grande maioria em falar uma língua distante dos empreendedores tradicionais, o que cria uma barreira e atrasa a implementação de novas soluções.

Precisamos explicar aos empresários que o commerce não é um “bicho de sete cabeças” é apenas um "tirador" de pedidos assim como antigamente era o livro de nota de encomenda, que o CRM não é um “bicho” estranho, é só uma forma eficaz de gerir os arquivos sobre cada um dos nossos clientes, etc...

Os clientes continuam a ter as mesmas intenções, serem tratados como especiais, assim como eu ia, por exemplo, à mercearia com a minha avó e assim que entrava os senhores sabiam o nome dela, o meu, perguntavam pela família e no fim apontavam no livro a conta dela. Precisamos da sensação de ser diferentes e a digitalização permite isso mesmo de forma extraordinária se a desconstruirmos e a tratarmos com uma ciência do oculto.

Haverá mais oportunidades?

Acredito que teremos muitas oportunidades nos próximos anos.

Vamos ter uma oportunidade única como país na economia pós pandemia e de criar uma nova geração de empresas e empregos e espero sinceramente que não cometamos os mesmos erros das últimas décadas.

Portugal tem uma força de trabalho quase única a nível europeu, muito superior à de tantos outros países, com capacidade para nos transformarmos em grandes industriais para além de prestadores de serviços.

As unidades desta escala como a sua que competências procuram?

Somos uma indústria e logo é primordial a visão técnica de toda a nossa equipa, cada uma em sua área.

Procuramos ainda pessoas com flexibilidade, inteligência emocional, capacidade de tomar decisões e claro pessoas que procuram uma atualização constante.

Custo-mo usar uma expressão popular de que quero uma Mocoffee de cinco leões em vez de quinhentos carneiros.


Onde estão sediados encontram-se todas as necessidades para ir ao encontro dos desafios do dia a dia?

Estamos a descobrir ao longo do caminho e até agora temos conseguido alguns parceiros locais para os nossos desafios nesta fase de implementação. Vamos ver como será quando estivermos implementados e em produção.

O que a Mocoffee pode fazer para ajudar os comerciantes locais?

É uma ótima pergunta, para a qual com sinceridade não tenho uma resposta clara. Preciso conhecer melhor a realidade dos comerciantes locais, das associações empresariais locais e das iniciativas camarárias.

Tem alguma história que possa partilhar connosco?

Talvez um episódio marcante para mim e uma frase que resume os desafios das novas gerações e gestores futuros.

A minha vontade de ser um industrial nasceu na minha primeira visita à Delta Cafés em 2007, nessa altura tive a oportunidade de conhecer o Sr. Comendador Rui Nabeiro e recordo uma frase que me ficou marcada, "Filho, quem quer vai, que não quer manda". Saiba mais sobre esta empresa em https://mocoffee.com/pt/




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